sábado, 29 de março de 2014

Um dia que mudou tudo.



Para uma melhor interpretação do texto recomenda-se a leitura ao som da música


Era um dia como todos os outros. A rotina de sempre: levantar, tomar o pequeno-almoço, vestir, levar as crianças à escola e ir trabalhar. Tinha uma família composta e unida. Tinha a vida que sempre tinha sonhado. Tinha uma mulher que me valia tudo e dois filhos gémeos com quatro anos, o John e o Kevin, vivíamos em Nova York trabalhávamos nas torres gémeas do World Trade Center. Um trabalhava na torre Norte e outro na torre Sul.
Foi no dia 11 de Setembro de 2001, que tudo mudou. Nesse dia tudo apontava para que a rotina fosse a mesma. (vieram-lhe as lágrimas aos olhos).
Eu, trabalhava na Torre Sul, ela na Torre Norte. Entravamos os dois às oito em ponto. Íamos sempre juntos para o trabalho, aliás, nós fazíamos tudo juntos! Eu e ela eramos inseparaveis, sentia por ela aquela coisa que nunca tinha sentido por ninguém. Por ela, eu estava realmente apaixonado. Os nossos filhos eram o nosso maior orgulho, nunca havíamos tido razão de queixa deles… Mas como era rotina, despedimos-nos antes de entrarmos para o trabalho demos um beijo, um grande abraço e dissemos um ao outro “Amo-te”. Daquela vez, o último de toda a nossa vida.
Às 8.45 da manhã, ouviu-se um grande estrondo vindo de perto. Olhei para a minha janela e vi fumo (como trabalhava na portaria não vi a zona de embate). Não sei o que se passou naquele momento, mas além de um grande arrepio de frio lembrei-me da minha mulher. Não liguei a nada e continuei o meu trabalho. Mas às 8.50 recebemos avisos de emergência para sairmos do edifício. Não pensei duas vezes. Abandonei a portaria e saí para a rua e quando olhei para cima deparei-me com o pior cenário de sempre: A torre onde a minha mulher trabalhava estava em chamas e cortada ao meio por um avião. No mesmo instante, recebo uma chamada dela. Não pensei duas vezes, atendi. Ela estava a chorar. Perguntei-lhe o que tinha acontecera ela não conseguia explicar só dizia “ouve-me, ouve-me … por favor!” . Decidi ouvi-la. (as lágrimas começam a cair-lhe dos olhos e a escorrem pela cara). Ela dizia assim:” O embate foi a 5 pisos abaixo do sítio onde trabalho, não consigo sair. Olha, não te esqueças nunca do que fui e do que fomos. Nunca te esqueças do que criamos, nem do que conquistamos. Não te esqueças do que vivemos mas por favor nunca te esqueças do nós!” – Ela dizia-me isto a chorar, foi impossível conter as lágrimas perante aquele momento …. – “Não chores, por favor! Isto já não é fácil, ajuda-me pelo menos a que não seja tão difícil. Trata bem dos nossos meninos, cuida deles, vive-os mas promete-me que farás com que eles nunca se esqueçam de mi. Promete-me por tudo que nunca os abandonarás, promete-me que os vais amar e que nunca os vais deixar. Prometes?” – Eu respondi que sim e não conseguia conter as lágrimas o sentimento estava a ser mais forte que eu. De repente do outro lado surge um “AMO-TE!” seguido de um grande estrondo. Assim que olho para cima vejo a torre a desmoronar-se. Com ela, foi parte de mim. Parte da minha vida, parte do meu coração. Nunca mais fui o mesmo desde aquele dia. Ninguém imagina o quão difícil foi criar dois filhos sozinhos e passar por aquelas perguntas “Papá, onde está a mãe?” ou “Papá a mãe vai voltar?” , como nunca sabia o que responder dizia sempre que ela era a estrela mais brilhante do céu e que era ela que os guiava.

Sou o Chris, tenho 40 anos. Sou viúvo. Criei dois filhos gémeos sozinhos. A minha vida podia ter sido melhor, mas não foi. Podia ter tido aquilo que sempre desejara, mas não tive. A minha felicidade podia estar  a 100% mas não está, hoje, 14 anos depois continuo solteiro. Todos os dias vou ao cemitério com uma flor. Todos os dias a flor tem uma cor. Essa cor é o estado da minha alma. A minha vida foi totalmente desfeita, tudo por causa de um ATAQUE À PAZ. Qual o porquê de tanta guerra? Porque é que tanta gente inocente tem de sofrer por coisas que não fez?! Infelizmente, ainda não tenho respostas a nada, mas talvez não seja necessário tanto sacrifício Humano para encontrar o caminho para a paz.


Texto escrito a : 11/09/2014

Ps:Não copie, seja original. Plágio é crime punido por lei! Obrigada! 
A história tem um carácter totalmente fictício . Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência.

Um comentário:

Gonçalo Emidio disse...

Soraia eu como teu amigo digo-te uma coisa, és a melhor a escrever! Apesar de eu escrever alguma coisinha, nunca irei chegar aos teus calcanhares! Escreves mesmo muito bem! Tudo o que tu escreves é simplesmente magnifico!
P.s.: ainda vamos escrever um livro juntos ahah.
Mas por fim queria dizer una coisa ainda bem que escreves, se não escrevesses o mundo ia perder uma grande artista!